• Vânia Penha-Lopes

PEQUENA HISTÓRIA DO QUE PODERIA SER UM GRANDE MURAL

Momento "recordar é viver": um texto meu de 27 de outubro de 1979, quando ter um veículo pra nos expressarmos era tão importante pra alguns de nós.


Nós vínhamos ocupando a sala 301 desde o início do ano letivo. Aquela sala, porém, apresentava um problema peculiar: não éramos os únicos frequentadores do recinto — havia também os pombos. Aparecendo a princípio como algo pitoresco, isto se transformaria num tormento para nós, visto que os pombinhos inocentes sujavam toda a parte superior do anfiteatro, além de disseminar piolho (preto ou branco, a gosto do freguês...) entre nós. Após alguns aborrecimentos – como estar assistindo a aula no outro anfiteatro e ter de sair para dar vez a reuniões, falar com o diretor do instituto para nos arranjar cadeiras e assistir a aula no “Salão Nobre” – a questão, se não resolvida, foi transferida: passamos a estudar no 4º. andar, onde estamos até hoje.


Como nada vem de graça, outro estorvo se apresentava: nosso mural, por ser colado à parede, teria de ficar na antiga sala. Tínhamos que providenciar outro. E isso foi feito. Assim como o outro, seu nascimento foi em regime de mutirão: uns o seguravam, outros passavam água na fita adesiva, mais alguns a colavam.


Uma vez nascido, deveria ser batizado. Contudo, não se chegou a um acordo sobre o nome e a questão foi abandonada. Afinal, nome não é tão importante assim (vide Shakespeare).


Criou-se uma comissão do mural, que estaria incumbida de pregar as notícias, renová-las, NÃO SEM A COLABORAÇÃO DA TURMA, que traria reportagens etc. Estipulou-se um dia – sexta-feira – para reuniões específicas sobre o tema central de cada semana, quando também seria renovada a dita comissão.


Bem, na 1ª. semana não houve maturação nem do tema escolhido – REFORMA UNIVERSITÁRIA – nem da comissão, da qual fazia parte, aliás. Resolveu-se que perdurariam por mais uma semana. Tudo bem.


Acontece que depois disto, ocorreu um acomodamento de toda a turma. Poucas eram as pessoas que contribuíam e a comissão se perpetuou no seu posto, variando apenas quando o Marcos se juntou a ela. Mesmo assim, o marasmo era a característica do tão decantado mural (acho que não é só dele...).


E agora, aproximamo-nos do término do 2º. semestre tendo nosso mural sido finalmente batizado. Ironicamente, chama-se “Mural de Adão”, pois, segundo a concepção da Marília Castañon, “está sempre pelado”.


Sinceramente, gostaria de saber qual a idéia de mural que as pessoas têm na cabeça. Certamente não é a mesma que a minha. Um mural é um veículo de comunicação, e isso não se prende somente a notícias de jornais, que o fazem transformar-se numa subsidiária do JB, mas artigos, principalmente artigos escritos por nós. Ele não deve ser unilateral, pois não existe apenas uma corrente de pensamento no mundo, nem mesmo no mundo dos estudantes.


Um poema de vez em quando é sempre bom (nunca mais trouxeram nenhum), uma coloração também, já que o IFCS é todo cinzento. Mas o primordial é que o mural tenha cheiro de gente viva.


Aqui vai minha crítica ao mural, esperando por outras opiniões – não só acerca dele como deste artigo –, e que ainda haja tempo para uma reformulação.


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