• Vânia Penha-Lopes

Viena, 19 de julho de 2012 às 2:04h

Aqui já é amanhã (quinta-feira). Acabei de secar o cabelo e usar o babyliss, cortesia da Marcia (o adaptador dela funcionava com aparelho americano!), e ainda tenho de fazer a mala, mas quis relatar pra vocês o que ocorreu no jantar.


Pegamos o "tram" até a rua onde fica o Museu de Freud e nos dirigimos a um restaurante simpático na esquina. O garçom era um negro alto parecidíssimo com um ator americano. Nós três rimos muito durante o jantar, felizes de termos cumprido a missão que nos trouxe a Viena. Aliás, como brasileiro ri! Não diria que os austríacos são antipáticos; eles são corretos e corteses, mas eles não riem à toa como nós.


Pedi um sekt, o espumante tcheco, que não tomava desde 2003. Pedi também uma omelete com salada sem nenhum queijo, mas ela veio com queijo e o garçom levou-a de volta. A comida estava ótima, como era de se esperar em Viena.


Há poucos negros aqui, certamente muito menos que em Paris. Então, ficamos imaginando a nacionalidade do garçom e, na hora de irmos embora, perguntamos a ele. Em inglês, ele disse que era brasileiro. Ah, como não havia falado com a gente antes em português? Ele disse que hesitou porque, na Áustria, não é comum garçom ficar de conversa com cliente, que é preciso manter uma certa distância. Com efeito, depois de vários minutos conversando e rindo, uma garçonete veio falar com ele que o tempo estava passando. Comentei que, embora ela tivesse feito sinal de que estava brincando, ela não estava; ele concordou.


Não vou dar o nome do conterrâneo porque a gente sabe que o Face é público e quero proteger sua unanimidade. Ele já mora aqui há mais de 20 anos, tem uma vida aqui, mas continua se sentindo brasileiro e não se naturaliza austríaco; entendi perfeitamente, é claro. Ele, que fala alemão e inglês fluentemente, explicou pra nós que dominar o inglês é uma progressão contínua, enquanto que dominar o alemão é caracterizado por um processo de progresso e um bom tempo num patamar.


Falamos que achamos Viena muito certinha, provinciana, e ele concordou. Ele, que é paulistano, comparou Viena a "uma Itu chique", o que achamos hilário. Ele também disse que Berlim é totalmente diferente, muito mais movimentada.


Foi uma conversa muito agradável e totalmente inesperada. Viajar é que nem viver: a gente pode programar as coisas, mas nunca sabe ao certo quem vai encontrar na próxima esquina.


Agora, vou subir e fazer minha mala, pois quem tenho certeza de que não encontrei ainda é um valete pra fazer isso pra mim.

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