• Vânia Penha-Lopes

NAOMI OSAKA & SERENA WILLIAMS



September 11, 2018:

While watching the match, I noticed how the commentators kept mentioning Osaka's Japanese nationality. I decided to Google her and learned that not only is her father Haitian, she identifies as biracial. In other words, she's as Black as she is Asian.

So, first, the TV commentators deny her identity by omiting it and, now, an Australian cartoonist denies her identity by depicting her as White, while depicting Serena Williams as a creature quite typical of the cartoons of yore. There is nothing "colorblind" about racism today.


Escrevi a nota acima logo após a Naomi Osaka vencer a Serena Williams e ganhar o Aberto de Tênis dos EUA em 2018. Recentemente, publiquei uma crônica sobre Naomi Osaka e o uso que ela fez de máscaras pretas com os nomes de vítimas negras da violência policial nos EUA na versão de 2020 do mesmo torneio. Nesse interim, Naomi venceu o torneio mais uma vez, contra Victoria Azarenka, de Belarus. Pelo que me consta, ao contrário de dois anos atrás, não houve charges ofensivas sobre o seu êxito.

Prestem atenção à charge que ilustra esta crônica. O autor é Mark Knights, cartunista australiano que a publicou no jornal The Herald Sun em setembro de 2018. Referente à vitória de Naomi Osaka, ele desenhou Serena Williams como uma mulher descomunal (beirando ao animalesco) reagindo sem eira nem beira à decisão do juiz, que aparece magro e minúsculo enquanto pede a Naomi, magrinha e loura, que deixe Serena vencer. Perto de Serena está uma chupeta, uma alusão à sua filhinha. Essa alusão tem duas conotações: que Serena deixou de ser imbatível desde que se tornou mãe e também que ficou completamente descontrolada, agora que “provou” que era mulher; sim, pois, quando Serena passou a ganhar tudo quanto era torneio, surgiram boatos de que ela era um homem travestido de mulher. Por sua vez, a brancura de Naomi a torna mais feminina, visto que o modelo de beleza predominante ainda é uma mulher branca (de preferência loura) e delicada.

Traduzo aqui a minha reação de dois anos atrás:

Enquanto assistia à partida, notei que os comentaristas insistiam em mencionar a nacionalidade japonesa de Osaka. Decidi fazer um Google dela e aprendi que não só seu pai é haitiano, ela se identifica como birracial. Em outras palavras, ela é tão negra quanto asiática.

Então, primeiro, os comentaristas de TV negam sua identidade ao omiti-la e, agora, um cartunista australiano nega sua identidade ao desenhá-la como uma mulher branca, enquanto Serena Williams ele desenhou como uma criatura típica das caricaturas de outrora. Não há nada de “daltônico” no racismo de hoje.





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