• Vânia Penha-Lopes

LONDRES, 22 DE AGOSTO DE 2014

Querido Público Fiel,


Queria muito ter feito um relato ontem, mas foi um intensivão.


Após a minha mesa, eu e Carmem Rocha fomos almoçar. Optamos por comida tailandesa, que eu não comia há quase três meses porque é carésima no Rio. Carmem nunca tinha provado, mas aprovou a sugestão. Perguntando aqui e ali, achamos um em Covent Garden. Vale reiterar que os londrinos são muito solícitos. Aliás, ontem falei pra um senhor que fica anunciando uma revista em Covent Garden, com um forte sotaque cockney, que já não era a primeira que lhe importunava com perguntas e ele sempre me dava direções precisas. Ele gostou de ouvir isso.


Ainda bem que a Carmem gostou do dim sum, dos rolinhos primavera e do bife com molho de ostra. Achei a comida apenas razoável porque o tempero estava fraco. Porém, os vários molhos de pimenta ajudaram a melhorar o sabor.


Largamos as bolsas no hotel e fomos a pé para o London Eye. É uma roda gigante à beira do Tâmisa, "a estrutura mais alta da Europa Ocidental", que oferece uma bela vista panorâmica da cidade. Devo dizer que compramos as entradas no hotel. O concierge nos disse que gostou de nos ouvir passar do português pro inglês americano. Ele conhece São Paulo, Salvador, Paraty, Ilha Grande e Búzios mas nunca foi ao Rio. É claro que falamos que ele precisa ir; ele disse que vai com a mulher na próxima vez.


Para chegar ao London Eye, é preciso atravessar uma das pontes. Tirei uma foto nela justamente quando o Big Ben badalava 17h.


Acho que vale a pena o passeio. A vista lá de cima é bonita e a fila, embora grande, fluía.

A próxima parada era o Anchor Bankside, um dos pubs mais antigos de Londres que mefoi altamente recomendado pelo meu médico (indivíduo competente!). Anda-se pra chegar lá! Enquanto consultávamos o mapa no sopé da roda gigante, vi passar três homens, um dos quais vestia o Manto. Gritei "Fogo!", mas o cara não teve reação. Então, levantei-me e falei: " Saudações Alvinegras!" Aí ele sorriu, gritou "Fogo!", comentamos sobre a mais recente derrota na noite anterior, mas tudo bem. Vocês que leram meu diário da viagem à Europa dois anos atrás talvez se lembrem de uma cena semelhante em Montmartre. Sabem como é: 7%. Ainda não tive oportunidade de usar minha camisa Nilton Santos desta vez porque está frio demais pra manga de camisa; só as mocinhas inglesas pra aguentar isso.


Caminhando, passamos pelo Tate Modern e por caminhos limpíssimos. Londres é uma cidade inodora, limpa e segura, o que dá mais prazer ainda de caminhar. Passamos também pelo Teatro Globe, onde "Romeu e Julieta" foi encenada pela primeira vez.

Finalmente, chegamos ao Anchor. Ele funciona desde o século XVII e alega que era frequentado pelo próprio Bard. São vários ambientes em três andares como uma vista linda do rio. A decoração é toda em madeira e couro. Como é pub, a gente tem que se levantar e comprar a bebida no balcão; depois, a garçonete traz a comida. A Carmem comeu torta de frango e eu, torta de cervo; não comia carne de cervo há 11 anos, ou seja, desde aminha viagem a Praga. Pra beber, pedi à garçonete que me preparasse um gin tônica com um gin que não conhecesse e que não acabasse com o meu dinheiro. Ela sugeriu gin com pepino, mas posso ingerI-lo, então foi com Gordon's comum. Adorei. Mais tarde, ela passou pela nossa mesa pra recolher os pratos e perguntou se queríamos algo mais. Respondi que gostaria de um segundo drinque, mas não estava a fim de levantar e ir até o balcão. Então, ela o trouxe até mim. A Carmem e a Isis Costa McElroy ficaram impressionadas.


A Isis havia chegado mais tarde. Ficamos de papo até quase a hora de fechar, embora fosse difícil de nos ouvirmos por causa da festa que estava rolando.

Acabamos voltando a pé pros nossos respectivos hotéis e tivemos a sorte de ficar de frente pro Big Ben justamente quando o sino bateu meia-noite. Ele é mais bonito ainda à noite: todo dourado.


Como disse, foi um intensivão!

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