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  • Writer's pictureVânia Penha-Lopes

EM TEMPO



Vânia Penha-Lopes, Ph.D.


“O tempo físico do poeta (“porque é preciso ser um poeta para escrever absolutamente bem”--F.P.) é um tal que não se prende ao concreto, mas são as idéias seu relógio habitual. Ele não tem de lutar bravamente contra os centésimos de segundo, como um atleta, mas sim contra as névoas que porventura mudem o curso das horas, e dissipá-las, ou melhor, aproveitar esse quê de desarrumação que elas trazem. O poeta responde aos anseios do seu ser, e o seu técnico é a vida, ou o que ele imagina que seja “vida” isso por que ele passa.  


O atleta treina para melhorar seu tempo; o poeta escreve para ter um tempo.”


O passar do tempo me fascina há muito. Aos oito anos, compus meu primeiro poema, intitulado “O Tempo Passou e Eu Não Vi Passar”. Aos 18, refleti sobre o tempo do poeta nas poucas linhas que reproduzi acima.


Encontros e desencontros, nascimentos e perdas também me fazem pensar no passar do tempo: rever amigos de infância, avistar adultos que vimos em fraldas e comparecer a velórios me lembram que o tempo é inexorável. 


Com a recente morte da minha mãe, o que me torna completamente órfã após dez anos, saber que o tempo é cada vez mais curto é inevitável. Não é fatalismo, mas realismo. Afinal de contas, o tempo só passa pra quem está vivo. Como eu costumo dizer, a Marilyn Monroe terá 36 anos pra sempre.

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