• Vânia Penha-Lopes

ISABEL ALLENDE



Ontem à noite, tive o privilégio de assistir ao vivo a uma entrevista da Isabel Allende. Chovia copiosamente e eu quase desisti de ir, mas falei pra mim mesma que, se eu posso ir trabalhar com chuva, também posso me divertir com ela.

Isabel Allende é generosa, espirituosa e tem um senso de humor bem aguçado. A entrevistadora, Amy Goodman, fez um belo trabalho, demonstrando que fazer as perguntas certas não é pra qualquer um.

Aprecio esses encontros porque gosto de ouvir escritores dissertarem sobre o seu processo criativo. A Isabel Allende foi tão explícita que anotei algumas de suas respostas verbatim:

1. Sobre porque ela sempre tem uma data certa pra começar um livro e se dedica quase todo o dia inteiro, todos os dias, até terminá-lo: “Escrever é um tremendo compromisso! É como se apaixonar. Se eu não tivesse uma data pra começar, ficaria enrolando pra sempre.”

2. Sobre como ela se sente quando um livro acaba: “Pra mim, meus livros são como sementes na minha barriga. Algumas delas germinam e começam a me perturbar, então tenho que molhá-las para se desenvolverem. Cada livro é uma entidade em si.”

3. Sobre a diferença entre literatura de ficção e a baseada em fatos: “A ficção se escreve na barriga, não no cérebro.”

Na fila de autógrafos, comecei a bater papo com uma moça que estava atrás de mim, que me pediu pra tirar uma foto dela com a escritora quando chegasse a sua vez. Ela se ofereceu pra fazer o mesmo pra mim. Então eu, que nem tinha pensado em levar máquina, acabei com duas recordações fotográficas. A primeira foto captou o momento em que Isabel Allende me agradeceu pela presença, eu a agradeci de volta e ela me perguntou meu nome. A segunda foto foi resultado de a moça ter me chamado. Virei-me pra ela sorrindo. Ela pediu mil desculpas por essa foto ter saído tremida, mas eu nem me importei; era “cavalo dado”!


Originalmente publicado no Facebook em 16 de abril de 2014.




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